5. COMPORTAMENTO 13.3.13

1. O INCRVEL RESGATE DAS BIBLIOTECAS DO MALI
2. CONCURSOS REPROVADOS
3. AMOR, DROGAS E SOLIDO

1. O INCRVEL RESGATE DAS BIBLIOTECAS DO MALI
Como os livreiros de Timbuktu conseguiram salvar manuscritos de 800 anos, que comprovam a existncia de Idade Mdia documentada na frica, em meio  desolao da guerra
Joo Loes

O livreiro e bibliotecrio da cidade de Timbuktu Abdel Kader Haidara  um heri. No final de 2012, ao testemunhar o recrudescimento do conflito entre radicais islmicos e o governo de seu pas, o Mali, no noroeste da frica, ele no esperou para ver qual destino teriam os rarssimos manuscritos que ele e outros livreiros guardavam caso uma guerra de fato eclodisse. Homem de ao, Haidara reuniu os colegas de profisso e, com apoio internacional, deu incio a uma incrvel operao de retirada preventiva da coleo, que conta com mais de 250 mil exemplares. Foram muitas viagens entre Timbuktu e Bamako, capital do pas africano para onde as obras foram levadas, at que 80% do acervo estivessem a salvo. O trajeto de 700 quilmetros foi feito repetidamente em carros civis disfarados de trasportadores de frutas e verduras abastecidos com gasolina custeada pelo Ministrio de Relaes Exteriores da Alemanha. No caso do resgate da biblioteca do Instituto Ahmed Baba, o trabalho foi to profissional que nem o prefeito da cidade, Hall Ousmani Ciss, soube da operao. Questionado em janeiro pelo jornal ingls The Guardian sobre o que ocorrera no Ahmed Baba, foi enftico. Os manuscritos foram queimados.

DESTRUIO - Nem tudo pde ser salvo na biblioteca do Instituto Ahmed Baba, em Timbuktu
 
No foram. Pelo menos no integralmente. Quando o prefeito dava essa declarao, boa parte dos tomos e pergaminhos de mais de meio milnio que versam sobre astronomia e medicina e guardam registros de msica e poesia africanas j estava guardada em Bamako. O trabalho hercleo e os riscos assumidos por Haidara e seus colegas se justificam. Nas obras salvas esto os registros dos ltimos 800 anos de histria da cidade de Timbuktu, entreposto comercial e cultural africano h quase um milnio e patrimnio mundial da humanidade pela Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (Unesco) desde 1988.
 
Alm de valiosos documentos histricos, eles tambm tm grande importncia por comprovarem que no continente africano a histria dos povos locais tambm era registrada e difundida pela escrita, e no apenas de forma oral. Reconheo que transportar manuscritos na mala de um carro no  o ideal, diz Jos Lus Goldfarb, professor de histria da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC-SP) e especialista em polticas pblicas de incentivo  leitura. Mas, nessas horas, vale tudo para salvar um patrimnio rico como esse.

HERI - Abdel Kader Haidara liderou a retirada dos ttulos
 
Os livreiros de Timbuktu sabem disso. Acostumados com a histria tumultuada do pas, que coleciona guerras e conflitos, eles aprimoraram, atravs dos sculos, tcnicas de resgate e proteo do inestimvel acervo da cidade. Desde o final da colonizao francesa no Mali, em 1960, ele no fica todo estocado em um lugar, mas sim dividido em cerca de 70 bibliotecas da regio. Quando a situao se complica e a opo pelo resgate no existe mais, as maiores relquias costumam ser embaladas e guardadas em caixotes de madeira selados e enterrados na areia do deserto. As cavernas tambm so usadas como esconderijo. Mas, com o conflito que se desenhou no final de 2012, a opo pela retirada do acervo da cidade pareceu mais sensata a muitos bibliotecrios.
 
Isamel Didi, por exemplo, ltimo descendente da dinastia Kati  h pelo menos 500 anos no Mali , fugiu do pas em direo  Europa no final de 2012 e levou consigo o que podia da Fondo Kati, que guardava mais de sete mil documentos sobre a presena islmica na pennsula ibrica. Depois de passar em fuga por Frana e Sua, ele se fixou, temporariamente, em Jan, no sul da Espanha. Suas preocupaes, porm, continuam no Mali. No creio que temos perdido documentos, diz, esperanoso. Mas tivemos que espalhar em bibliotecas o que continuou por l, disse ao jornal espanhol El Pas.

Tanto esforo se justifica. Estamos falando de um lugar onde a histria de um povo se condensa, afirma Goldfarb, da PUC-SP. Quando uma biblioteca  destruda,  como se parte da nossa histria e, portanto, de ns mesmos fosse eliminada. Embora resgatados, os documentos que saram de Timbuktu agora precisam ser cuidadosamente catalogados, trabalho que ser feito com o apoio da Alemanha e da frica do Sul. Como foram retirados s pressas, muitos arrancados das caixas que os protegiam, eles esto to desorganizados que no se sabe ainda, precisamente, o que de fato foi salvo e o que foi perdido. A estimativa de 80% resgatados, porm, se mantm. Foi um trabalho louvvel, que mostra que a relao de um bibliotecrio com seus livros extrapola a razo, diz Goldfarb.  um verdadeiro caso de amor. Nos prximos meses, mais informaes sobre a operao viro  tona, bem como detalhes do que de fato foi salvo e o que foi perdido. At l, fica a certeza de que o pior, felizmente, no aconteceu.


2. CONCURSOS REPROVADOS
A Fundao Getulio Vargas prope mudanas na forma de selecionar funcionrios e pe em xeque a qualidade do servio pblico no Pas 
Laura Daudn

Uma pesquisa encomendada pelo Ministrio da Justia  Fundao Getulio Vargas (FGV) e  Universidade Federal Fluminense (UFF) causou polmica na semana passada ao propor uma reforma nos concursos pblicos. O estudo, feito a partir de 698 processos seletivos, questionou a capacidade das provas de filtrar os candidatos mais preparados. H uma incoerncia entre as competncias esperadas de um servidor pblico e os conhecimentos testados nos concursos, afirma Fernando Fontainha, coordenador do estudo e professor da FGV no Rio de Janeiro. No h uma avaliao de habilidades. A divulgao dos resultados ecoou entre os milhes de concurseiros e as centenas de escolas e professores espalhados pelo Pas.

ESTABILIDADE - Cerca de dez milhes de pessoas fazem concursos pblicos por ano no Pas
 
Segundo Marialvo Pereira, secretrio de Assuntos Legislativos do Ministrio da Justia, o objetivo da pesquisa  discutir formas de selecionar pessoas vocacionadas, o que diminuiria a rotatividade e os custos para o Estado e melhoraria a qualidade dos servios. As dez sugestes apresentadas pelo levantamento, que vo da exigncia de transparncia nos editais at a necessidade de criar uma empresa pblica para regular o mercado (leia quadro), passaro pelo exame de especialistas do ministrio e sero apresentadas com ajustes em abril  no sem a avaliao de professores, juristas e instituies envolvidas com o mundo dos concursos.

Um deles  Leonardo de Carvalho, diretor jurdico da Associao Nacional de Proteo e Apoio aos Concursos (Anpac). Todo candidato aprovado est apto, porque foi submetido a uma prova. Se no fosse assim, chegaramos  concluso de que nenhum servidor est preparado, afirma. Carvalho acredita que  preciso aprimorar mecanismos de segurana para evitar fraudes, mas no so necessrias grandes mudanas. J o jurista Luiz Flvio Gomes, fundador da rede de ensino LFG, diz que devem ser feitas alteraes profundas na rea, como um marco regulatrio. Mas  preciso que isso seja feito democraticamente, diz. Gomes  contrrio, por exemplo,  proposta de limitar a trs o nmero de inscries de um candidato a uma mesma vaga. Outro ponto de crtica  a eliminao das provas de mltipla escolha. Elas devem servir como primeira seleo. No conseguimos aplicar questes discursivas a todos os candidatos, diz. Apesar das discordncias, uma das propostas parece ser ponto pacfico: a que sugere a vinculao entre as provas e o estgio probatrio para formar um sistema de avaliao contnuo e preparar o funcionrio para o servio pblico. Aps um ano de estudos com avaliaes e testes e mais dois de atividades prticas supervisionadas, o aprovado seria confirmado na carreira, afirma Fontainha.

A preocupao em aprimorar os concursos  pertinente: o sonho de um emprego pblico mobiliza dez milhes de pessoas por ano no Pas. A ltima pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) mostra que a mdia salarial no setor pblico  de R$ 3,2 mil, contra R$ 1,6 mil no privado. A demanda do Estado por mais funcionrios tem reforado a tendncia: hoje, uma mdia de 1,2 mil servidores federais se aposenta por ms. Segundo a Anpac, as trs esferas executivas oferecero 200 mil vagas s em 2013.


3. AMOR, DROGAS E SOLIDO
Como as drogas afastaram o vocalista da banda Charlie Brown Jr. da mulher, o levaram  depresso e precipitaram sua morte
 Natlia Mestre, Rodrigo Cardoso e Suzana Borin 

Choro canta ao vivo uma verso indita da msica De Olhos Abertos para a equipe de ISTO Online:

UNIO - H um ano e meio Choro voltou a consumir cocana com muita frequncia. A estilista Graziela Gonalves tentou usar a separao como um alerta para ele largar o vcio
 
Ele transitou pelo sucesso e o fundo do poo com a fria prpria de quem  intenso em tudo o que faz. Em uma mistura de desordem e criatividade, moldadas a partir da separao dos pais e da mudana, na adolescncia, de So Paulo para Santos, Alexandre Magno Abro se transformou em Choro, o vocalista da banda Charlie Brown Jr. Expoente do rock nacional, embalou sonhos e inquietaes da juventude com sua msica nos ltimos 20 anos. Choro, porm, sucumbiu  prpria dor. Na madrugada da quarta-feira 6, foi encontrado morto em seu apartamento na zona oeste paulistana. Tinha 42 anos. Estava de bruos no cho da cozinha, com as mos ensanguentadas, em meio a latas de refrigerante e energtico, garrafas de bebidas alcolicas, ansiolticos e mveis quebrados. Havia, ainda, um p branco que a polcia suspeita se tratar de cocana. Tentei de tudo para salvar o Choro, afirmou, em entrevista exclusiva  ISTO, a estilista Graziela Gonalves, 41 anos, ex-mulher do roqueiro.
 
Choro tinha mergulhado em um processo depressivo aps ter se separado de Graziela, com quem estava casado havia 15 anos. Essa  a tese defendida por amigos e familiares do cantor. Esse revs afetivo, isoladamente, porm, no precipitou a morte do roqueiro.  ISTO, Graziela revelou que o cantor vinha usando drogas h quatro anos  e h um ano e meio, compulsivamente. Mais: ela, Thais Lima, a primeira mulher do msico, o filho de Thais com Choro, Alexandre, 23 anos, e a empresria da banda procuraram um advogado para providenciar uma internao involuntria do artista. Queriam lev-lo  revelia para uma clnica de recuperao para dependentes qumicos, pois o processo autodestrutivo do cantor vinha se acelerando. Mas no deixaram que ele fosse internado, diz a estilista (leia entrevista completa  pg. 52). Depois dessa tentativa frustrada, Graziela resolveu se afastar do marido.

A separao se deu em janeiro, mas os dois no deixaram de se falar pelo telefone. Ela apostava que, com o distanciamento, o cantor optaria por se livrar do vcio para reconquistar o grande amor da vida dele. A situao, porm, s piorou. O Choro sempre teve dificuldade para lidar com momentos de presso, conta um parente do msico. E assim aconteceu. Enquanto a mulher ficou em Santos, Choro passou a perambular por flats na capital paulista. Nas ltimas semanas, esteve em quatro, segundo o delegado Itagiba Vieira Franco, do Departamento de Homicdios e Proteo  Pessoa (DHPP), que investiga as circunstncias da morte. A hiptese inicial  a ingesto combinada de drogas, bebidas e remdios. Quando a tristeza e a solido batiam, o lado bad boy do roqueiro se manifestava e ele quebrava tudo o que via pela frente. No ltimo dos hotis, permaneceu at segunda-feira 4. Aps um desentendimento com funcionrios, o msico resolveu seguir para o seu apartamento. Ele acreditava que os empregados do hotel estavam colocando cmeras no quarto para film-lo, conta o motorista do cantor, Kleber Atalla, primeira pessoa a encontr-lo morto. Ele tomava remdios para dormir e esses comprimidos o faziam acreditar que estava sendo perseguido.
 
A famlia de Choro responsabiliza Graziela pelo fim trgico do cantor. Ricardo Abro, irmo dele, bateu boca com a cunhada no Instituto Mdico Legal, em So Paulo, enquanto aguardavam a liberao do corpo. Em Santos, durante o velrio ao qual compareceram cinco mil pessoas, houve um novo desentendimento entre os dois, que s no partiram para as vias de fato porque foram separados. O Ricardo acha que ela o abandonou no momento em que ele mais precisava, conta um amigo da famlia. Tania Wilma Abro, irm do msico, tambm acusou, aos gritos, Graziela de ser culpada pela morte de seu irmo. Graziela era tida como o porto seguro de Choro. Ela o conheceu em uma fase em que o vocalista do Charlie Brown Jr. ainda sofria pelo fim de seu relacionamento com Thais, a me de Alexandre, seu nico filho. O Choro foi criado nas ruas de Santos, foi levado para a delegacia algumas vezes por causa de maconha e brigas. Depois que a Graziela apareceu em sua vida, ele emagreceu, parou com tudo, lembra um de seus amigos de infncia.

Graziela conta que quando Choro voltou a consumir drogas, quatro anos atrs, ele estava cansado e ainda chateado com o fim da formao original da banda, ocorrida em 2005. Na poca, o baixista Champignon, o guitarrista Marco e o baterista Renato Pelado romperam com o amigo alegando divergncias musicais. O baixista e o guitarrista retomaram a parceria com o roqueiro em 2011, mas as feridas, segundo ela, nunca cicatrizaram. Pesou muito a separao do grupo. O Choro se sentia injustiado, afirma Graziela. Ele tinha seus dilemas, seus demnios e, quando estava mal, a coisa ficava mais problemtica. O encontro derradeiro do casal aconteceu na ltima semana de fevereiro, quando o cantor, de frias da banda e j afastado da mulher, foi at o apartamento da estilista, em Santos. Ali, Graziela voltou a insistir para que o ex-marido iniciasse um tratamento contra a dependncia qumica e disse que sentia muita saudade dele. Antes do Choro ir embora, eu tive a certeza de que era a ltima vez que eu o via, porque ele me disse: Eu quero que voc me prometa que, se acontecer alguma coisa comigo, voc vai ficar bem.
 
Ela diz que no deixou de monitorar o ex-marido e falou com ele por telefone com frequncia at trs dias antes da sua morte. A partir da, Choro teria deixado de atender as ligaes dela. Ele sempre me dizia, antes de desligar o telefone: No duvide do meu amor por voc꒔, recorda. Quando o encontrou morto, aps inmeras tentativas de falar com ele pelo telefone, o motorista Atalla acionou o Servio de Atendimento Mvel de Urgncia (Samu). No apartamento  que no possua muita moblia porque, segundo pessoas ligadas  famlia, era uma espcie de reduto de consumo de drogas de Choro  alm de manchas de sangue espalhadas por paredes, portas e interruptores quebrados, policiais encontraram um canudo feito com uma folha de cheque ao lado do p branco e um catlogo de filme porn.

Figura expansiva em cima do palco, fundador da banda de rock que lanou 11 lbuns, vendeu cinco milhes de cpias e ganhou dois Grammy Latino, Choro, longe dos holofotes, vinha ultimamente oscilando entre momentos de desiluso e empolgao com o seu futuro na msica. Ele dizia estar cansado da rotina de shows e mais empolgado com os momentos em que vivia com um skate debaixo dos ps do que com um microfone na mo. Ele estava pensando em diminuir o ritmo de shows, almejando uma tranquilidade maior para a sua vida, afirma Atalla. Na semana anterior ao seu falecimento, porm, o roqueiro resolveu visitar o estdio de uma rdio em So Paulo sem aviso prvio. Chegou l com o filho Alexandre e uma msica indita a tiracolo e passou duas horas no ar. Nos bastidores, ao final, comentou o quanto se sentia abalado com a separao. Uma pessoa do crculo de amizades do roqueiro ouviu durante a fase crtica do casamento a seguinte frase: Acho que no sirvo para ficar com ningum mesmo. Ningum me entende, sou um destrudo na vida.
 
Essa montanha-russa emocional era testemunhada pela famlia. Ele estava bastante atormentado, dizia que se sentia absolutamente sozinho, conta a apresentadora de tev Sonia Abro, prima do cantor. Filho de uma empregada domstica e de um empresrio, Choro passou a manifestar, ultimamente, intensa saudade que sentia do pai, falecido h cerca de dez anos, com quem viveu uma relao de amor e dio. O cantor cresceu indignado com o fato de o pai no ter dado o devido suporte  sua me, Nilda, aps a separao do casal. O Choro e a me, que vendia pastel, chegaram a ser despejados de uma casa porque no tinham como pagar o aluguel, diz um amigo, lembrando que o cantor, em Santos, no concluiu o ensino fundamental e praticamente se educou nas ruas. Mas, nos ltimos tempos, o roqueiro sofria por nunca ter conseguido dizer ao pai que o amava, segundo esse amigo. Soube que ele disse a um primo que queria se encontrar com o pai, conta Sonia.

A ltima vez que Choro esteve reunido com a famlia foi no Natal, no apartamento do cantor, em Santos. Apenas sua irm Ktia, que mora em Luxemburgo, no estava presente. At mesmo a sua me, Nilda, de 80 anos, que mora em So Paulo e teve recentemente um acidente vascular cerebral (AVC) compareceu. O cantor j passava por uma fase complicada no casamento, mas mostrou-se animado e feliz. No comentava com a famlia sobre a depresso que o abatia s vezes. No era do seu estilo demonstrar fraqueza em pblico. As pessoas s tm a imagem do meu tio como o louco skatista ou qualquer coisa assim. Ele era muito mais do que isso. Era extremamente amoroso em casa com todos, um pai para mim e um dolo para ns, afirma Amanda Abro, sobrinha do artista. Sempre foi amvel e sempre nos ajudou financeiramente tambm.

A generosidade era uma caracterstica do cantor. Costumava distribuir gorjetas gordas nos bares e restaurantes que frequentava. Na semana anterior  sua morte esteve no Sujinho, no centro de So Paulo, deixou para o garom mais de R$ 100. Depois de perder o pai, vtima de cncer, Choro passou a contribuir com o Hospital do Cncer de Barretos, no interior de So Paulo. Atalla, seu motorista, tambm no se esquece do dia em que o patro comprou um equipamento no valor de R$ 40 mil para um garoto deficiente fsico. Nessa seara, a grande obra do roqueiro-skatista, que foi vice-campeo paulista na categoria freestyle,  o Choro Skate Park, uma pista de skate indoor inaugurada h dez anos, no Jardim Quietude, em Santos. Ali, crianas aprendem os segredos do esporte, ganham refeies e, muitas vezes, so presenteadas com um skate. Meu tio tinha um corao maior do que ele, refora a sobrinha. Era grande, mas no suportou a presso da vida que ele escolheu viver.

Colaborou Thas Botelho


